Viva o varejo regional!!

Por Marcos Hirai – 10 de Maio de 2018

Lojas Americanas, Casas Bahia, Boticário, Hering e Chilli Beans são algumas redes de varejo e de franquias que estão quase onipresentes, com lojas em praticamente todos os estados brasileiros. Mas não chegam a 60 o número de redes que têm presença nas 5 regiões oficiais da federação. Somadas as cerca de 15 redes internacionais como o Mc Donalds, Subway, Burger King, temos um número que não chega a 100 de redes que têm presença nacional. E mesmo estas, acabam concentrando suas operações nas capitais, tornando o interior ainda carente das grandes marcas nacionais. Mas por que existem tão poucas redes espalhadas por este país? Talvez o principal motivo seja o fato de que existe uma grande concentração geográfica e demográfica no potencial de consumo. Há 5.570 municípios no Brasil, mas os 40 maiores respondem por 40% do potencial de consumo; 89 municípios geram 50% do consumo nacional e 366 alcançam 70%. Já no extremo oposto, há 2.462 municípios que respondem por apenas 10% do consumo. Em termos demográficos, a classe A responde por cerca de 20% do consumo, a B1 por 26% e a classe C por 50%. A região sudeste sozinha concentra 55,4% do PIB. Somada com a região Sul, este número chega a 71,1%, restando para as demais 28,9%. Por conta disto, a grande maioria das redes prefere concentrar sua atuação neste eixo. Para as redes de franquias, consequentemente, acaba sendo mais fácil conseguir franqueados nesta faixa do país.

O cenário descrito cria um ambiente no qual, de um lado, torna-se economicamente inviável ter uma rede com cobertura nacional, pois, à medida que a densidade dos municípios diminui, o potencial torna-se muito limitado. De outro lado, para construir negócios de grande escala no mercado brasileiro é preciso atingir o mercado de massa. Sendo assim, a lógica das redes é de expandir por raios. Crescem a uma distância definida da base e assim buscam força dentro desta área restrita.

Um shopping center médio precisa de cerca de 200 lojas para completar seu mix. E, com a crise econômica recente, metade destas redes encolheram suas expansões. Portanto, um shopping center não consegue hoje depender apenas de marcas nacionais. É aí que o mix se completa com as marcas regionais. Mais do que nunca, elas se tornaram essenciais para atender as populações das cidades do interior e das capitais menores. No grande formato, temos alguns exemplos de sucesso de redes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, como o Armazém Paraíba de Teresina, Piauí, que conta com 300 lojas e tem atuação em 10 estados da federação, focados no Norte e Nordeste. A rede Novo Mundo, de Goiânia, tem 150 lojas e atuação em 10 estados. As lojas Avenida, de Cuiabá, é a maior rede de moda da região Centro-Norte e uma das 10 maiores do Brasil, com mais de 100 lojas espalhadas por 13 estados brasileiros. Ou a Gazin, um gigante que, apesar de ter sua sede em Douradina, no interior do Paraná, tem quase todas as suas 250 lojas nos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. De Manaus, a Bemol, uma rede de lojas de departamentos, atua nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima com 20 lojas físicas.

São também inúmeras as redes do eixo Sul e Sudeste. As Lojas Cem, de Salto, interior de São Paulo, atua na área de eletrodomésticos e tem atualmente 246 lojas. As Lojas Pompéia/Gang de Camaquã, no Rio Grande do Sul, vende moda em 70 filiais, em 65 cidades; o Madero de Curitiba, de hambúrgueres, que já conta com 120 lojas e está se espalhando com sucesso por todo o Brasil. Na área de franquias, são inúmeros os exemplos, impossíveis de serem todos citados, mas a rede de restaurantes e fast foods Bonaparte de Recife; a rede de loja de variedades Le Biscuit de Salvador; a 1 a 99 com 50 lojas e sede em Socorro, interior de São Paulo; as redes de cosméticos – Mundo do Cabeleireiro e Bel Salvador; o Grupo Zaffari do Rio Grande do Sul e inúmeras outras. São todas redes fortes, profissionais, com ampla aceitação do mercado local e que muitas vezes não são conhecidas no eixo Rio e São Paulo, mas que são excelentes varejistas. E muitas vezes oferecem serviços, atendimento, tecnologias e formatos de lojas à frente dos varejistas nacionais, mas com um toque local.

*Imagem reprodução