Taco Bell entra na disputa pelo mercado de fast-food no país

Empresa pretende abrir 200 lojas no eixo Rio-São Paulo até 2027. Segmento tem registrado aumento da concorrência, com a chegada de marcas como a Popeyes, de frango frito

RIO – Tacos, nachos e burritos vão disputar espaço na bandeja do brasileiro no segmento de fast-food. No Brasil desde 2016, trazida pelo empresário Carlos Wizard Martins, a Taco Bell – com sede nos Estados Unidos e cardápio inspirado na cozinha mexicana – persegue a meta de saltar das atuais 23 unidades para 200 até 2027 no Rio de Janeiro e São Paulo. Na semana que vem, vai servir suas primeiras fajitas no mercado carioca, com a abertura de uma filial no BarraShopping.

O apetite pelo mercado brasileiro se justifica, afirmam especialistas do varejo de alimentos.

– Há potencial para expansão no Brasil. A Alimentação fora do lar representa 28% do gasto do brasileiro. Em outros países, esse percentual é maior— explica Cristina Souza, diretora executiva da GS&Libbra do Grupo GS& Gouvêa de Souza.

Diversificação de marcas

Para fazer seu tempero ganhar a preferência do consumidor brasileiro no segmento, as redes de fast-food estão diversificando as marcas.

– As redes têm feito movimentos importantes e bem agressivos. O próprio (Carlos Wizard Martins) adquiriu a operação de Pizza Hut e KFC, o que vai permitir uma série de sinergias aliadas às operações da Taco Bell. O Burger King do Brasil, por sua vez, está investindo na expansão da Popeyes no país (que abriu sua primeira loja em São Paulo nesta semana) e vem avançando na cola do McDonald’s, atrás de rentabilidade – pondera Rafaela Natal, da área de alimentação da consultoria AGR.
Segundo Daniela Heldt, diretora de operações da Taco Bell no Brasil, o país tende a ser o segundo maior mercado da rede no mundo, depois do americano. Ela diz que já avaliam adotar o sistema de franquias no Brasil:

– Tem um grande potencial geográfico, mas também de consumo. A estimativa é bater a meta de 200 lojas antes do previsto.

Atualmente, a Taco Bell tem sete mil unidades, sendo 6.500 nos EUA. As demais estão espalhadas em 26 países, com maior presença em Canadá, Guatemala e Espanha.

– No varejo, ter escala é importante, porque permite reduzir custo de insumos e serviços. Ter marcas pares sob uma mesma gestão é uma vantagem. Também adequamos o cardápio ao mercado. Em São Paulo, já incluímos os sucos, além da batata frita, que é hábito no país. No Rio, serviremos mate – conta Daniela.

O preço médio dos lanches fica na faixa de R$ 30. A loja do BarraShopping é a primeira de cinco que a Taco Bell planeja ter no Rio até o fim do primeiro semestre de 2019. Até o fim deste ano, mais duas serão abertas, nos shoppings Nova América, em Del Castilho, e Tijuca. Há também, continua Daniela, negociações em curso para inaugurar uma loja no Centro e outra no Botafogo Praia Shopping. O investimento médio varia de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão por unidade.

Até aqui, todas as lojas são próprias, devendo chegar a 28 ou 30 no fim deste ano. Mas já há avaliação de franqueados.

– Teremos um modelo híbrido de operação, com lojas próprias e franquias. E já estamos avaliando franqueados para a marca. Até aqui, nosso acordo com a Taco Bell na Califórnia nos faz detentores da marca nos estados do Rio e de São Paulo. Mas estamos negociando chancela para atuar em todo o país – diz a executiva.

Com aval para chegar a outros mercados do país, continua ela, os lanches devem chegar ao Sul, para depois expandir-se para os demais estados do Sudeste. Por fim, viriam Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Imagem: Reprodução
Fonte: O Globo