Starbucks abre primeira loja na Itália: por que ela demorou tanto?

Loja foi inaugurada na última sexta-feira (7) em um prédio histórico de 2,3 mil metros quadrados

SÃO PAULO – Ainda que a inspiração para abrir a Starbucks tenha vindo de uma viagem para Itália, há cerca de 35 anos, a primeira cafeteria da rede foi aberta somente na última sexta-feira (7), na cidade de Milão. Em comunicado, ex-CEO e hoje presidente honorário da Starbucks, comentou que a sua visão de expandir a rede para todo o mundo partiu de uma viagem à Itália. “Foi em Milão, em 1983, onde tudo começou para mim. O café italiano conquistou minha imaginação. (…) Durante todos esses anos, sonhei que um dia voltaria”, comentou.
Essa demora tem explicação: a Itália é um dos países onde a cultura do café é muito forte, “quase uma religião”, e onde são consumidos seis bilhões de expressos a cada ano, segundo dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). As bebidas da Starbucks, principalmente os famosos frappuccinos, portanto, poderiam não fazer sucesso entre os italianos – não à toa, este item não está no cardápio da unidade italiana.

Isso explica também o porquê a estratégia da rede no país é diferente. Esta primeira unidade, localizada em um prédio histórico da cidade, tem 2.300 metros quadrados e servirá cafés provenientes de mais de 30 países diferentes, além de coquetéis e alimentos.

Ela segue o padrão das unidades Reserve da rede que foram abertas em Seattle, nos EUA, e Xangai, na China, que servem café “premium” e pratos assinados por chefes famosos.

Entretanto, analistas do setor veem a chegada da Starbucks com otimismo. Matteo Figura, especialista do NPD Group, foi consultado pela CNN e disse que a maneira de consumir mudou muito nos últimos anos na Itália, o que pode ser bom para a Starbucks.

Ele diz que os consumidores agora “estão cada vez mais atentos à qualidade e à experiência” e que entre os millennials, jovens de 18 a 34 anos, a rede pode fazer sucesso – e isso não impactará os cafés tradicionais da Itália.

Alexandre Loeur, analista da Euromonitor International, compartilha da mesma opinião e reconhece que a chegada da rede no país é “um desafio difícil”, mas que pode dar certo. “Na França, outro país com uma importante cultura do café, os millennials respondem bem aos cafés especiais da Starbucks”, disse à agência. Ele ainda cita o ambiente e outras características da rede, como a oferta de Wi-Fi gratuito, como diferenciais que são vantajosos.

Sócio-diretor da empresa de pesquisa Mintel e analista do setor de alimentos e bebidas, Jonny Forsyth, elogiou a estratégia do Starbucks de focar em oferecer produtos mais adequados às preferências locais e diz que a rede deve seguir o exemplo da Domino’s, rede norte-americana de pizzas que, apesar do ceticismo inicial, conquistou um nicho no mercado italiano, mesmo servindo pizzas diferentes das tradicionais italianas.

Antes de inaugurar a loja italiana, foram abertas mais de 28 mil unidades Starbucks em 77 países diferentes.

Imagem: Reprodução
Fonte: InfoMoney