Rua ou shopping: o que levar em conta na hora de abrir sua franquia?

Antes de pensar em abrir uma franquia, é preciso pensar em quem você quer atingir e onde começar seu comércio

Começar uma franquia é algo que exige estudo. É preciso entender da marca que você pretende investir, público e viabilidade do negócio. Tudo é importante na hora de abrir sua loja. Anterior a tudo isso, porém, há uma decisão que exige atenção especial: a escolha do ponto.

“Existem casos que um loja pode ir bem em um corredor do shopping, mas ir muito mal no corredor vizinho. Pequenos detalhes podem fazer a diferença”, explica André Friedheim, vice-presidente da Associação Brasileira de Franchising.

A questão diz respeito também ao público a ser atingido, os custos a arcar e até mesmo onde ela vai ficar: dentro de um shopping ou em alguma rua comercial?

Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising, 65% das franquias brasileiras estão em lojas de rua ante 21% das lojas em shopping. Um total de 86% de franquias brasileiras estão entre as duas modalidades.

Diante do número dicotômico, a dúvida que fica é qual a grande diferença entre esse dois tipos de negócios.

A pergunta é respondida abaixo, com depoimento de veteranos do mundo das franquias que explicam as diferenças entre as duas modalidades de negócios, suas expectativas e retornos.

Cliente destino versus cliente oportunidade

Dentro dos negócios, existem dois grandes grupos de consumidores: os de destino e os de oportunidade.

“O cliente destino é o sonho de todo lojista, aquele cliente fiel que sai de casa com um endereço no celular e uma loja na cabeça”, explica Antônio Augusto de Souza, master franqueado da Johnny Rockets e com 24 anos de experiência na área de alimentação. “É ele que sai de casa com a família pronto para comer no restaurante que estava planejando há dias. Esse grupo muitas vezes tem um ticket médio maior que o cliente oportunidade, aquele que bate o olho em algum lugar, simpatiza e entra no estabelecimento, sem muita informação”.

É possível traçar um paralelo entre os dois grupos com as duas modalidades de lojas. Os de oportunidade são mais comuns nos centros comerciais e os de destino sendo majoritários nas lojas de rua.

Essa diferença fica bem clara no caso do Amor aos Pedaços. “As lojas de rua tem uma maior saída de bolos inteiros, enquanto as de shopping ganham mais dinheiro com pedaços, venda de café e outros produtos para serem consumidos na hora”, diz Júlio César Valeriano, gerente comercial de franquias e expansão da rede de docerias. “As lojas de rua tem um fluxo menor mas um ticket médio alto, situação oposta a das lojas de shopping”.

Os custos da franquia e do ponto

O grande fluxo de pessoas de um shopping tem o seu custo, literalmente.

“No shopping você está propenso a uma série de taxas. Coisa como o aluguel do ponto, condomínio e fundo de propaganda que tornam seu custo fixo maior do que em unidades na rua”, explica Valeriano.

Apesar de um maior custo fixo, o shopping traz vantagens que podem compensar. Hoje, o shopping no Brasil traz um fluxo maior de clientes por uma questão cultural. “O brasileiro adora passear no shopping. Então sabendo escolher o local e o público que quer atingir, a questão do custo fixo acaba sendo minimizada”, afirma Friedheim, da ABF. Porém, o mesmo destaca que uma loja com mesma metragem será sempre mais barata na rua do que em shoppings.

Na rua não existem taxas extras sobradas pelo shopping, e ainda tem aluguéis mais baratos. Mas é preciso colocar na ponta do lápis outras questões. “Em lojas de rua, você está… na rua. Então é preciso contratar serviço de segurança, gastar mais dinheiro com manutenção de fachada e outros gastos que vão surgindo por não estar em um ambiente controlado”, ressalta Souza, da Johnny Rockets.

Ambiente controlado versus liberdade total

Escolher entre shopping e rua envolve questões quase ideológicas. Você prefere ter total liberdade no seu negócio e estar sujeito a agentes externos que estão fora do seu controle ou ter uma série de limitações, mas com a garantia que quase nada sairá do planejado?

Em uma loja de rua, quem define horário de funcionamento é você. Pode fechar no almoço e abrir no jantar. “Se quiser se tornar um point da noite e varar a madrugada trabalhando, pode fazer isso sem problemas. Porém, tenha em mente que ao mesmo tempo que você tem toda a liberdade, está sujeito a vizinhos indesejados, o surgimento de concorrentes e até mudanças viárias na região, que podem atrapalham o fluxo de pessoas e carros onde seu restaurante está localizado”, afirma Souza.

Já o vice-presidente da ABF levantou a questão do estilo da loja. “Em um shopping, qualquer projeto arquitetônico precisa ser aprovado na administração. Se você quiser uma loja que se destaque neste aspecto, é na rua que você terá este tipo de liberdade”.

O shopping também traz outro problema que diz respeito ao próprio funcionamento dele. “Em lojas de centros comerciais, o trabalho é de domingo a domingo. Não existe flexibilidade de horário nestes casos”, diz Valeriano.

Na rua: sem estacionamento, sem negócios

A maioria das cidades brasileiras não são como Nova York ou Amsterdã, onde viver sem carro é uma realidade viável. “Quem pretende abrir uma loja de rua precisa pensar em criar um sistema de vallet ou algum convênio próximo ao restaurante. Enquanto em um shopping isso é resolvido facilmente, na rua é preciso correr atrás”, explica Souza.

Já Friedheim relativiza a questão, alegando que mesmo em um shopping o cliente paga o estacionamento, assim como um cliente que paga por um serviço de vallet. “Nesse caso, é possível terceirizar o serviço, ou mesmo embutir os custos do estacionamento no produto. É um problema contornável”, diz.

Fonte: Isto é Dinheiro