O varejo chinês entre nós

Por Marcos Hirai

A China sempre foi conhecida como a terra das bugigangas e das cópias. Investimentos maciços do governo chinês tentam reverter esta história. A nova China pretende ser cada vez mais sustentável, líder em pesquisas e investimentos em tecnologia de ponta, como nanotecnologia, inteligência artificial, drones, energia solar, energia eólica, carros elétricos, autônomos entre outras inovações que poderão surgir nos próximos anos. Fala-se muito também do quase onipresente site de comércio eletrônico Alibaba, que está quase se tornando o maior varejista de produtos e serviços para o mercado chinês. Muito em breve, 6 em cada 10 produtos vendidos por lá serão gerados pela plataforma.

Mas um exemplo de como ainda é difícil mudar a imagem que uma nação representa no imaginário popular é a percepção que os consumidores ainda têm dos automóveis chineses. Os preços são convidativos, mas muita gente não os compra, pois possuem receio quanto à durabilidade, segurança e aspectos técnicos. Na dúvida, preferem apostar numa marca tradicional e mais “confiável”.

Quando se fala em varejo, a primeira remessa de lembrança é dos badulaques baratos chineses compradas na Rua 25 de Março em São Paulo ou no Saara no Rio de Janeiro. Produtos sem qualidade, e cópias ruins.

Mas agora a invasão é outra. Primeiramente veio a japonesa Daiso, a maior rede de lojas de preço único do mundo (que aqui no Brasil oferece produtos a partir de R$ 7,99) que obtém enorme sucesso com produtos baratos e de qualidade. Já possui 40 filiais por aqui.

No ano passado estreou a primeira rede de varejo chinesa no Brasil. A Miniso chegou com grande estardalhaço, anunciando a abertura de 1000 lojas nos próximos 5 anos. Os números da rede impressionam. Fundada em 2014, a marca tem mais de 2.000 lojas em mais de 50 países, incluindo uma filial em Pyongyang, capital da Coréia do Norte, além de Estados Unidos, Canadá, Coreia, China, Dubai, Austrália, México e Alemanha – além do Brasil. Apesar de se declarar japonesa, na verdade, ela utiliza o design japonês e até a semelhança de identidade visual das redes japonesas Uniqlo e Muji. Mas a sua sede mundial e a produção dos produtos estão, em sua maioria, na China. Já abriu 20 lojas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e, recentemente, anunciou um projeto de franquias bastante ambicioso: abrir mais 100 novas lojas no Brasil até o final de 2018.

Nesta onda, uma nova varejista chinesa planeja abrir lojas este ano, iniciando por São Paulo. A ainda desconhecida UNISO, que tem mais de 500 filiais na China e na Índia, promete abrir 10 lojas por aqui nos próximos meses. Com planos igualmente ambiciosos. O curioso é que a Uniso tem um logotipo muito parecido com a Miniso. É China copiando China. A invasão está apenas começando e você ainda vai comprar numa delas.

*Imagem reprodução