As trocas de comando das marcas internacionais no Brasil

Por Marcos Hirai – 7 de junho de 2018

Lush, WalMart, Starbucks, Adidas, FNAC…o que estas marcas tem em comum? Bom, todas elas mudaram recentemente de mãos aqui no Brasil. As marcas permanecem no varejo brasileiro, ao menos por ora, mas, de subsidiárias ou filiais, passaram a ser operações franqueadas ou licenciadas. A lógica é que, em mãos de operadores locais, as operações possam ser mais rentáveis, mais dinâmicas e melhor geridas. Num mercado complexo como o nosso, com a cara e complexa estrutura tributária, regras trabalhistas pesadas, altas taxas de juros, problemas logísticos, incertezas políticas, economia volátil, faz com que a gestão de empresas nos moldes da matriz muitas vezes se torne uma fonte de problemas e dificuldades.

Com a troca de comando, é muito provável que a marca volte a reluzir e volte a crescer no nosso mercado. É o caso da Starbucks que agora está sob gestão do fundo de investimento SouthRock, que promete voltar a abrir lojas nos próximos meses, inclusive em novas praças, já que, até hoje, possui lojas apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O anuncio da venda do WalMart no Brasil ao fundo de private equity Advent International, que comprou 80% nas operações do Walmart no Brasil, ocorreu esta semana. Advent planeja expandir as bandeiras desenvolvidas pelo Walmart no Brasil, como Maxxi, usada nas lojas de atacarejo, e Todo Dia, de lojas de vizinhança, bem como o clube de compras Sam’s Club.

A Adidas resolveu concentrar suas vendas pelos canais digitais, onde pretende mais do que dobrar suas vendas nos próximos 2 anos. Fechou uma série de lojas em todo o Brasil, mas manterá lojas físicas com franqueados. Estes, por sua vez, deverão abrir novas em breve.

A FNAC por sua vez sofre pelo segmento que atua (livros, CDs e DVDs) e precisou vender a subsidiária brasileira para concentrar os esforços nas suas lojas da Europa. A Fnac Darty, grupo francês que controla a rede no Brasil, disse que licenciará a marca Fnac para a nova empresa, ou seja, vai manter o mesmo nome– e vai realizar uma recapitalização para ajudar a companhia a recuperar sua posição no mercado. Mas, este ano, acabou fechando algumas lojas.

Por ultimo, a LUSH, que abriu a primeira loja por aqui em 1999, via licenciado, depois retornou como operação própria. E agora resolveu fechar as portas. Porém, após quase uma década de briga na justiça, os direitos sobre a marca de cosméticos podem voltar à primeira licenciada.

As trocas de comando citadas podem trazer perspectivas melhores daquelas operadas anteriormente. Ganham os consumidores brasileiros.

*Imagem reprodução