Aliansce e Sonae Sierra Brasil negociam juntar suas operações

Empresas do setor de shoppings iniciaram tratativas, mas ainda não há acordo

RIO – A Aliansce — com uma carteira de 51 shoppings no Brasil, entre próprios e administrados, incluindo o Shopping Leblon e o Via Parque, no Rio — e a Sonae Sierra Brasil, com nove empreendimentos no país, iniciaram tratativas preliminares para uma potencial combinação de suas operações, informaram as duas companhias nesta quarta-feira por meio de comunicado. Elas garantem, porém, que ainda não há acordo, oferta ou proposta sobre a mesa.

“Não há nenhuma garantia sobre a efetivação de qualquer negócio entre as partes”, alerta a Aliansce no comunicado. A Sonae também deixa claro que as negociações iniciadas entre as duas companhias não chegarão obrigatoriamente a um acordo, mas frisa que “está sempre atenta a oportunidades que gerem valor a seus acionistas”.

— Pela complementariedade de portfólio, a união dessas duas empresas faz sentido. Os empreendimentos têm perfis que podem ser alinhados sob uma mesma companhia. Ao ganhar em escala, terão melhores condições de negociação com clientes e fornecedores — avalia Marcus Cordeiro, sócio-diretor da consultoria ba}Stockler. — Se fecharem negócio, o maior desafio será montar um bom conselho gestor, homogêneo e que desenhe uma estratégia eficiente para a nova empresa.

Com 20 shoppings próprios e uma carteira de 31 outros sob sua administração, a Aliansce avança nos últimos anos em aquisições com foco em ampliar a participação nos ativos mais rentáveis de sua carteira. No ano passado, comprou fatias do Boulevard Shopping Belém e do Parque Shopping Belém, com investimento de R$ 83,3 milhões, além do Boulevard Corporate Tower, torre corporativa anexa ao Boulevard Shopping, por R$ 290 milhões.

Em 2016, o grupo aumentara sua participação no carioca Shopping Leblon, com a compra de uma fatia de 25% do empreendimento, realizada a partir de um aumento de capital com base em oferta de ações da companhia. O valor da aquisição foi de R$ 309,9 milhões, incluindo uma dívida de R$ 122,4 milhões.

No primeiro trimestre deste ano, a Aliansce registrou aumento de 7,4% em vendas, na comparação com janeiro a março de 2017, subindo para R$ 1,34 bilhão. A taxa de ocupação bateu 95,9%, enquanto o Ebitda, indicador do fluxo de caixa da companhia, somou R$ 83,3 milhões.

— A Aliansce é maior que a Sonae em tamanho. Mas em rentabilidade, a Sonae tem hoje uma situação melhor, considerando também o endividamento, o que pode ampliar o poder de barganha da pequena na negociação — destaca Cordeiro, lembrando que no ano passado a Aliansce manteve conversar com a BRMalls, outro grande grupo do setor de shoppings, mas a negociação não avançou.

A Sonae tem em sua carteira 9 shoppings distribuídos por cinco estados do país, mas ainda não está presente no Rio de Janeiro, principal mercado da Aliansce e onde estão 11 de seus empreendimentos, entre próprios e administrados. De janeiro a março, a Sonae registrou alta de 4,8% nas vendas na comparação com igual período de 2017. A taxa de ocupação dos shoppings geridos pela companhia ficou em 93,3%, com avanço de 14,1% no Ebitda, que alcançou R$ 50 milhões.

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Fonte: https://oglobo.globo.com/economia/aliansce-sonae-sierra-brasil-negociam-juntar-suas-operacoes-22852525